terça-feira, setembro 27, 2022
Home Saúde Às vésperas do começo do inverno, vacinação contra gripe está empacada

Às vésperas do começo do inverno, vacinação contra gripe está empacada

Mais de 70 dias após o início da vacinação contra a gripe, somente dois grupos que pertencem ao público-alvo prioritário da campanha atingiram 50% da meta. A imunização contra a influenza não deslancha, o que acendeu sinal de alerta no Ministério da Saúde, às vésperas do inverno – a estação começa na terça-feira (21/6)

O maior problema do adoecimento por gripe nesse período é que o acúmulo de enfermos pode pressionar os serviços de saúde do país.

Fazem parte dos grupos prioritários para a vacinação: crianças, trabalhadores da saúde, gestantes, puérperas, indígenas, idosos e professores. Dessas pessoas, somente funcionários da saúde e idosos ultrapassaram metade do público a ser imunizado.

Ao todo, 56,8% dos idosos tomaram a dose de proteção contra a gripe. Dos trabalhadores da saúde, 56,4%.

Os dados foram analisados pelo Metrópoles, com base em material publicado pelo LocalizaSUS, plataforma de prestação de contas do Ministério da Saúde.

Gestantes e puérperas, que são mulheres que deram à luz em um período de até 45 dias, apresentam a menor procura pela proteção, com 32,3% e 33,3% do público imunizado, respectivamente.

Veja o percentual de vacinação, subdividido por categoria:

  • Puérperas – 33,3%
  • Povos indígenas – 45,5%
  • Gestantes – 32,3%
  • Crianças – 40,1%
  • Trabalhadores da saúde – 56,4%
  • Idosos – 56,8%
  • Professores – 42,9%

A baixa demanda preocupa o Ministério da Saúde. No começo do mês, a pasta prorrogou a campanha até 24 de junho. A ação estava prevista para ser encerrada em 3 de julho.

A partir de 25 de junho, estados e municípios poderão ampliar a campanha contra a gripe para toda a população, enquanto durarem os estoques do imunizante. A iniciativa começou em 4 de abril.

Neste ano, o público-alvo soma 77,9 milhões de pessoas. Até sexta-feira (17/6), foram aplicadas 33,4 milhões de doses. O Ministério da Saúde distribuiu 79,9 milhões de unidades do fármaco.

Alerta

A infectologista Ana Helena Germoglio, professora assistente de medicina no Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e especialista em prevenção de infecções hospitalares, explica que vários motivos contribuem para a baixa adesão popular.

A especialista cita como exemplo os adoecimentos por dengue, entre o fim do ano passado e o começo deste ano, além dos casos de Covid-19, que voltaram a subir nas últimas semanas. “Muitas pessoas estão com quadro de Covid, então estão priorizando essa doença”, salienta.

Ana Helena Germoglio, contudo, faz críticas à campanha para atrair as pessoas. “Estamos com um chamamento público muito aquém do que a gente deveria ter. As pessoas esquecem que a influenza pode evoluir para quadros graves”, pondera.

A médica avalia que é preocupante o fato de as gestantes e puérperas estarem com baixa imunização. “Elas precisam se vacinar para quebrar o ciclo de transmissão”, conclui.

- Advertisment -

Recentes